As empresas já avançaram para uma nova etapa, em que o desafio é transformar iniciativas pontuais em soluções capazes de operar de forma consistente, segura e escalável.
O movimento de mercado reforça essa mudança. Segundo o IDC, organizações da região Ásia-Pacífico realizaram, em média, 23 provas de conceito (POCs) de GenAI entre 2023 e 2024, mas apenas três chegaram à produção. Entre essas, somente 62% atingiram as expectativas iniciais.
O dado ajuda a ilustrar uma questão que vai além da tecnologia: provar que uma solução funciona é diferente de prepará-la para funcionar em escala. É nessa transição que surgem os principais desafios da escalabilidade de IA.
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O que muda entre uma POC e uma solução corporativa?
Uma prova de conceito normalmente tem um objetivo específico: demonstrar que determinada tecnologia pode resolver um problema. Nesse estágio, é possível trabalhar com um conjunto limitado de dados, integrações simplificadas e uma arquitetura desenhada para testar hipóteses.
Na produção, as exigências são outras. A solução precisa lidar com diferentes volumes de dados e usuários, integrar sistemas existentes, atender requisitos de segurança, apresentar disponibilidade adequada e permitir monitoramento contínuo. Também precisa ter custos previsíveis e mecanismos para evolução e manutenção.
Por isso, a passagem para a escala começa ainda durante a concepção da POC. Quanto mais cedo a empresa considerar os requisitos do ambiente produtivo, menor tende a ser o esforço necessário para transformar o experimento em uma aplicação corporativa.
Arquitetura e dados formam a base da escalabilidade
Uma solução de IA não escala apenas porque o modelo utilizado é capaz de processar mais informações. É necessário construir uma arquitetura que suporte crescimento, integração com diferentes sistemas e evolução tecnológica.
Isso envolve definir como os modelos serão disponibilizados, onde os dados serão processados, como aplicações e APIs irão se comunicar e quais componentes poderão ser substituídos sem comprometer toda a solução.
Os dados são outro ponto crítico. Informações fragmentadas, inconsistentes ou sem governança dificultam tanto o treinamento quanto a operação dos modelos. Por isso, qualidade, disponibilidade, linhagem e segurança precisam fazer parte da arquitetura desde o início.
O próprio IDC destaca esse desafio: em uma pesquisa citada pela organização, 82% das empresas relataram ter dados em silos, enquanto 29% apontaram problemas de qualidade dos dados.
Integração, governança e segurança entram no centro da discussão
Quando uma solução sai do ambiente controlado de uma POC, ela passa a interagir com sistemas, processos e pessoas. Isso torna a integração um dos principais fatores para sua adoção.
APIs bem definidas, arquitetura modular e mecanismos de orquestração ajudam a conectar a IA ao ecossistema corporativo sem criar dependências difíceis de manter. Em aplicações baseadas em agentes, essa capacidade é ainda mais relevante, já que os agentes precisam acessar dados e executar ações em diferentes sistemas.
A governança também precisa acompanhar essa evolução. É necessário estabelecer quem pode utilizar determinado modelo, quais dados podem ser acessados, como as respostas serão avaliadas e quando uma decisão precisa passar por validação humana.
Na mesma medida, segurança deve estar presente em todo o ciclo. Controle de acesso, proteção de dados, rastreabilidade, gestão de credenciais e monitoramento são requisitos para que uma solução de IA possa operar de maneira confiável.
Escalar também significa preparar a operação
Outro ponto frequentemente subestimado é a sustentação. Uma solução que funciona em uma demonstração pode apresentar comportamentos diferentes quando submetida a milhares de requisições, novos conjuntos de dados ou mudanças no modelo.
Por isso, a industrialização exige práticas de MLOps e operações preparadas para acompanhar o ciclo de vida da IA. Monitoramento de desempenho, qualidade das respostas, custos de infraestrutura, consumo de tokens e disponibilidade precisam fazer parte da rotina.
A própria infraestrutura já reflete essa mudança de estágio. Segundo dados mais recentes do IDC, os investimentos globais em infraestrutura de IA chegaram a US$ 318 bilhões em 2025, mais que o dobro dos US$ 153 bilhões registrados em 2024.
O crescimento mostra que a discussão sobre IA está avançando para uma camada estrutural: não basta experimentar modelos, é preciso construir a capacidade tecnológica necessária para colocá-los em operação e sustentá-los.
Da POC ao valor de negócio
Industrializar IA não significa simplesmente levar uma prova de conceito para um ambiente produtivo. Significa criar padrões, componentes e capacidades reutilizáveis que permitam transformar experimentos em soluções replicáveis, governadas e continuamente aprimoradas, reduzindo o esforço necessário para implementar novos casos de uso.
Para isso, as empresas precisam conectar estratégia, dados, arquitetura, integração, governança, segurança e operação desde as primeiras etapas do projeto. Também é necessário definir indicadores de sucesso que ultrapassem a performance técnica e demonstrem impacto em produtividade, receita, experiência do cliente, redução de custos ou outros objetivos do negócio.
A escalabilidade de IA acontece quando a organização deixa de tratar cada iniciativa como um experimento isolado e passa a construir uma base reutilizável para novas aplicações.
É esse movimento que permite sair da lógica de “testar uma tecnologia” para a de construir uma capacidade corporativa de inovação com IA.
Da experimentação à escala com a GenAI Journey e o DHuO
A GenAI Journey da Engineering Brasil apoia as organizações na estruturação da adoção de IA, conectando estratégia, priorização de casos de uso, arquitetura, governança e evolução para produção. O DHuO, atuando como AI Gateway, complementa essa jornada ao estabelecer uma camada central para acesso e governança dos serviços de IA, aplicando controles sobre modelos, políticas de uso, consumo, segurança e observabilidade.
Juntos, contribuem para transformar iniciativas isoladas em uma capacidade corporativa de IA mais governada, reutilizável e preparada para escala.
Quer transformar iniciativas de IA em capacidades reais de negócio? Conheça a GenAI Journey e o DHuO.
Paulo França é head de Ofertas, Parcerias e Pré-Vendas na Engineering Brasil, onde lidera iniciativas que conectam tecnologia e negócios. Com profundo conhecimento em arquitetura de sistemas, integração e APIs, além de dados, inteligência artificial e IA Generativa, atua com foco na aplicação prática dessas soluções para gerar valor real e contínuo aos clientes.